Boa tardem
pessoal, como eu disse na versão anterior que até o próximo capítulo não foi???
Desde manha esse site ToonDoon não está funcionando direito, esta sendo rebelde, então
hoje só vai o texto, como sempre substituio as palavras complexas pelas
mais simples... e vamos
descansar um pouco desse Livro...
CAPÍTULO
XVII
SEDE PERFEITOS
Características da perfeição
O homem de bem
• Os
bons espíritas
•
Parábola do semeador
Instruções dos Espíritos:
O dever
• A
virtude
Os
superiores e os inferiores
• O homem no mundo
Cuidar do corpo e do Espírito
CARACTERÍSTICAS
DA PERFEIÇÃO
1
Amai
aos vossos inimigos; fazei o bem àqueles
que vos
odeiam e orai por aqueles a que vos
perseguem
e vos caluniam; pois, se amais
apenas
àqueles que vos amam, que recompensa
tereis?
Os
publicanos também não fazem isso?
E se
apenas saudardes vossos irmãos, o que
fazeis mais que os outros?
Os
pagãos não fazem o mesmo?
Sede, pois, perfeitos, como vosso Pai
Celestial
é
perfeito.
(Mateus,
5:44, 46 a 48)
2
Deus tem
a perfeição infinita em todas
as coisas; assim, este ensinamento moral:
Sede perfeitos, como vosso Pai Celestial
é
perfeito, tomado ao pé da letra, dá a
entender
a possibilidade de se chegar a
perfeição
absoluta.
Se fosse dado à criatura ser tão perfeita
quanto o Criador, ela O igualaria, o que é
inadmissível.
Mas os homens aos quais Jesus se dirigia
não teriam entendido essa questão; por
isso,
Ele se limitou a apresentar-lhes um
modelo e falar que se esforçassem para
chegá-lo.
É
preciso entender por estas palavras a
perfeição relativa que a Humanidade é
capaz de entender e que mais a aproxima
da Divindade.
Em que resume essa perfeição?
Jesus o
fala: Amar aos inimigos, fazer o bem
àqueles
que nos odeiam, orar por aqueles
que nos
perseguem.
Ele
mostra que a mais importante da perfeição
é a caridade em sua mais ampla significação,
porque define a prática de todas as outras
virtudes.
De
fato, se observarmos as conseqüências de
todos os vícios e até mesmo dos pequenos
defeitos,
reconheceremos que não tem nenhum
que não mude de alguma forma, um pouco mais,
um pouco menos, o sentimento da caridade,
porque todos têm o seu começo no egoísmo e
no orgulho, que são sua negação; visto que o
que incentiva exageradamente o sentimento da
personalidade destrói, ou pelo menos enfraquece,
os ensinamentos da verdadeira caridade, que
são: a generosidade,
a tolerância, a renuncia
e a adoração.
O amor
ao próximo, levado até o amar aos
inimigos, não podendo se aliar a nenhum
defeito
contrário
à caridade, é, por isso mesmo, sempre
o indício de uma maior ou menor superioridade
moral;
de onde resulta que o grau de perfeição
se dá
em razão da grandeza desse amor.
Eis porque Jesus, depois de ter dado a seus
discípulos as regras da caridade, no que ela
tem
de mais perfeito, fala: Sede, pois, perfeitos,
como
vosso Pai Celestial é perfeito.
O HOMEM DE BEM
3
O verdadeiro homem de bem é aquele que
usa a
lei de justiça, de amor e de caridade,
na sua maior pureza.
Pergunta sua consciência sobre seus
próprios
atos, perguntará se não violou
essa lei, se não fez o mal, se fez todo o
bem que podia, se descuidar voluntariamente
uma ocasião de ser útil, se ninguém tem
queixa dele, enfim, se fez aos outros tudo
o que gostaria que lhe fizessem.
Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua
justiça
e na sua sabedoria divina.
Sabe que nada acontece sem a sua permissão
e obedece-se, em todas as coisas, à sua
vontade.
Tem fé
no futuro; por isso coloca os bens
espirituais
acima dos bens temporais.
Sabe que todas as opções da vida, todas as
dores,
todas as decepções são provas ou
penas,
e as aceita sem reclamações.
O homem
de bem que tem o sentimento de
caridade
e de amor ao próximo faz o bem pelo
bem, sem esperar volta, agradece o mal com
o bem, toma a defesa do fraco contra o forte
e sempre sacrifica seus interesses à justiça.
Encontra satisfação nos auxílios que divide,
nos serviços que presta, nas alegrias que
oferece
aos seus
irmãos, nas lágrimas que
seca, nas consolações que leva aos aflitos.
Seu primeiro impulso é o de pensar nos
outros antes de si, socorrer aos interesses
dos outros antes de procurar os seus.
O egoísta, ao contrário, calcula os ganhos
e as perdas de toda ação generosa.
É bom, humano e generoso para com todos,
sem diferença
de raças nem de crenças,
pois vê
irmãos em todos os homens.
Respeita nos outros todas as provas
sinceras e não amaldiçoa quem não pensa
como ele.
Em
todos os momentos, a caridade é o seu
guia; tendo como certo que aquele que
prejudica
os outros com palavras maldosas,
que agride os sentimentos de alguém
com seu orgulho e seu desdém, que não
volta
atrás diante da idéia de causar um
sofrimento,
uma contrariedade, ainda que
ligeira, quando poderia evitá-la, falta ao
dever do amor ao próximo e não merece
a clemência do Senhor.
Não tem nem ódio, nem rancor, nem desejos
de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa
e
esquece as ofensas e apenas se recorda dos
auxílios,
pois sabe que será perdoado conforme
perdoou.
tolerante para com as fraquezas dos outros,
porque
sabe que ele mesmo precisa de tolerância,
e se recorda das palavras do Cristo:
Que aquele que estiver sem pecado lhe atire
a
primeira pedra.
Não se satisfaz em procurar defeitos nos
outros,
nem colocá-los em evidência.
Se a necessidade o obriga a fazer isso,
procura
sempre o bem que possa minimizar
o mal.
Estuda
suas próprias imperfeições e trabalha
sem parar para lutá-las.
Usa todos os seus esforços para poder falar
no dia seguinte que tem nele algo de melhor
do que no dia anterior.
Não se irrita a si mesmo nem seus talentos
à custa
de outrem, ao contrário, aproveita
todas
as ocasiões para mostrar as qualidades
dos outros.
Não se envaidece de sua riqueza, nem de sua
s vantagens
pessoais, pois sabe que tudo o
que lhe
foi dado pode ser retirado.
Usa, sem exagero, dos bens que lhe são
dados,
pois sabe que se trata de um depósito
do qual deverá prestar contas, e que o uso,
que
resultaria mais prejudicial para si mesmo,
seria o de fazê-los servir à satisfação de
suas
paixões.
Se, na ordem social, alguns homens estão
sob seu mando, dependem dele, trata-os
com
bondade e generosidade, pois são
seus irmãos diante
de Deus; usa da sua
autoridade para levantar-lhes o moral, e
não para esmagá-los com seu orgulho;
evita tudo o que poderia dificultar-lhes
a posição subalterna.
O empregado,
por sua vez, entende os
deveres
de sua posição e se esforça em
cumpri-los conscientemente.
(Veja Cap. 17:9.)
Finalmente, o homem de bem respeita
todos
os direitos que as leis da Natureza
dão aos seus irmãos , como gosta que os
seus sejam respeitados.
Esta não é a relação completa de todas
as
qualidades que percebem o homem
de bem, mas quem quer que se esforce
para tê-las está no caminho que leva
a todas as outras.
OS BONS ESPÍRITAS
4
O
Espiritismo bem entendido e bem sentido
leva o homem naturalmente às qualidades
mencionadas, que caracterizam o verdadeiro
espírita, o verdadeiro cristão, pois um e
outro são a mesma coisa.
O
Espiritismo não cria nenhuma nova ordem
moral,
mas facilita aos homens o
entendimento
e o uso da moral do Cristo,
dando a
fé inabalável e esclarecida àqueles
que
duvidam ou vacilam.
Muitos
daqueles que acreditam nos fatos
das manifestações espíritas não
entendem
nem suas conseqüências, nem
seu alcance moral, ou, se os entendem
, não
os usam a si mesmos.
Por que isso acontece?
Será falta de clareza da Doutrina?
Não.
A Doutrina Espírita não tem nem alegorias*,
nem
figuras* que possam dar lugar a falsas
interpretações.
* N. E.
- Alegorias e figuras : linguagem
ou
pensamento figurado, simbólico,
fantasias, conjunto de figuras,
de
metáforas.
A
clareza é sua própria conteúdo, e é de
onde
vem a sua força, pois vai diretamente
à inteligência.
Ela não tem nada de misteriosa, e seus
seguidores
não estão de posse de nenhum
segredo
escondido ao povo.
É
preciso, então, para entendê -la, uma
inteligência fora do comum?
Não.
Tem homens de uma reconhecida
capacidade
que não a entendem, enquanto
inteligências simples, até mesmo jovens,
mal saídos da adolescência, apreendem-na
com uma admirável fidelidade, nos seus
mais
delicados detalhes.
Isso acontece porque a parte por assim
dizer
material da Ciência não obrigar mais
do que olhos para ser observada.
Enquanto a parte do conteúdo do
Espiritismo
obriga um certo grau
de
sensibilidade, que independe
da idade ou do grau de instrução da
criatura, ao qual podemos chamar
de
maturidade do senso moral, essa
maturidade lhe é própria porque, de
certa forma, está ligada ao grau de
desenvolvimento
que o Espírito
encarnado
já tem.
Os
laços da matéria, em alguns, estão
ainda muito fortes para deixar ao
Espírito
libertar-se das coisas da Terra;
o nevoeiro que o envolve proíbe-lhe a
visão
do infinito.
Eis
porque ele não corta facilmente nem
com seus gostos, nem com seus hábitos,
não percebendo que possa ter qualquer
coisa de melhor do que aquilo que tem.
A crença nos Espíritos é, para eles, um
simples
fato, que muda muito pouco, ou
quase nada, suas inclinações instintivas.
Numa palavra: vêem apenas um raio de
luz, insuficiente para dirigí-los e lhes dar
uma vontade indicar, capaz de vencer
suas inclinações.
Eles
prendem-se mais aos fenômenos do
que à moral, que lhes parece banal e
chsta;
pedem aos Espíritos para ter
acesso
de imediato aos novos mistérios,
sem
perguntar a si mesmos se são dignos
para entrar nas vontades e mistérios do
Criador.
São espíritas imperfeitos, alguns deles
param
no caminho ou se distanciam de
seus
irmãos em crença, pois voltam atrás
diante da obrigação de se reformarem,
ou então reservam suas simpatias para
aqueles que participar das suas fraquezas
e cuidados.
Entretanto,
a aceitação dos ensinamentos
da Doutrina Espírita é um primeiro passo
que lhes deixará um segundo mais fácil
numa
outra vida.
Aquele que pode, com razão, ser qualificado
como
verdadeiro e sincero espírita está num
grau superior de adiantamento moral; o
Espírito,
já reprimido mais completamente a
matéria,
dá-lhe uma cobrança mais clara do
futuro; os ensinamentos da Doutrina Espírita
fazem nele vibrar os sentimentos, que
ficam
adormecidos nos outros; em uma palavra,
foi tocado no coração e a sua fé é inabalável.
Um é
como o músico que se comove com os
acordes, enquanto o outro ouve apenas sons.
Reconhece-se o verdadeiro espírita por sua
transformação moral e pelos esforços que faz
para reprimir suas más inclinações; enquanto
um se satisfaz em seu horizonte limitado, o
outro, que entende um pouco mais, esforça-se
para se libertar dele e sempre o consegue,
quando tem uma vontade firme.
PARÁBOLA DO SEMEADOR
5.
Nesse
mesmo dia, Jesus, ao sair de casa,
sentou-se à beira do mar; reuniu-se em sua
volta uma grande multidão de pessoas; foi
por isso que subiu numa barca e todo o povo
ficou
em pé na margem; e Ele lhes falou,
então, muitas coisas em parábolas:
Saiu
aquele que semeia a semear; e enquanto
semeava, caiu ao longo do caminho um
pouco de semente, e os pássaros do céu
vieram
e comeram-na.
Uma
outra quantidade caiu nas pedras, onde
não havia muita terra; e logo cresceu, pois
a terra
onde estava não era muito profunda.
Mas queimou-se com o sol, pois tinha acabado
de nascer; e, como não tinha raízes, secou.
Outra igualmente caiu nos espinhos, e os
espinhos cresceram e afogaram-na.
Uma
outra, enfim, caiu na boa terra que
dava
frutos, tendo grãos que cresciam cem
por um, outros sessenta e outros trinta.
Que ouça aquele que tem ouvidos para
ouvir.
(Mateus, 13:1 a 9)
Escutai, pois, vós outros, a parábola do
semeador.
Todo
aquele que ouve a palavra do reino
e não
presta a menor atenção, aparece o
Espírito mau e arranca o que se tinha
semeado em seu coração; este é aquele
que
recebeu a semente ao longo da estrada.
Aquele que recebeu a semente junto às
pedras,
é o que ouve a palavra e que a
recebe
na mesma hora com alegria; mas
não tem raízes em si, e isso dura pouco
tempo;
e quando lhe sobrevêm aflições
e perseguições por causa da palavra,
logo se escandaliza.
Aquele
que recebeu a semente entre os
espinhos, é o que ouve a palavra; mas,
em seguida, as pedistes deste século e
a enganação das riquezas sufocam nele
essa palavra e a tornam sem frutos.
Mas aquele que recebeu a semente em
uma boa terra, é aquele que ouve a palavra,
que lhe dá atenção e ela da frutos, e
cresce
cem ou sessenta, ou trinta por um
.
(Mateus, 13:18 a 23)
.
6
A parábola do semeador representa
perfeitamente
as várias faces que
tem na
maneira de se pôr em uso
os ensinamentos do Evangelho.
Quantas
pessoas tem, de fato, para as
quais os ensinamentos não passam de
letra morta e, parecidas com às
sementes caídas sobre as pedras, nada
acontecen,
nada dá frutos!
A
parábola encontra aplicação igualmente
justa nas diferentes categorias de espíritas.
Não é o símbolo daqueles que apenas se
apegam aos fenômenos materiais, e deles
não tiram nenhuma conseqüência?
Que apenas os vêem como objeto de
curiosidade?
Não simboliza os que procuram o lado
brilhante nas comunicações dos Espíritos,
interessando-se somente enquanto lhes
satisfazem a imaginação, mas que, após
ouvi-las, continuam frios e indiferentes
como
antes?
Daqueles que acham os conselhos muito
bons e
os admiram, aplicados a outrem e
não a
si mesmos?
E, finalmente, daqueles para quem os
ensinamentos são como a semente que
caiu em
terra boa e dá frutos?
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
O DEVER
Lázaro - Paris, 1863
7
O dever é a obrigação moral, primeiro para
consigo mesmo e, em seguida, para com os
outros.
O dever
é a lei da vida: encontra-se desde os
menores detalhes, assim como nos mais
elevados
atos.
Refiro-me apenas ao dever moral e não ao
dever
que as profissões mandam.
Na ordem dos sentimentos o dever é muito
difícil de ser cumprido, pois se encontra em
oposição
com as seduções do interesse e do
coração.
Suas
vitórias não têm testemunhos e suas
derrotas
não estão sujeitas à proibições.
O dever íntimo do homem é governado pelo
seu livre-arbítrio•, este aguilhão* da
consciência,
guardião da integridade interior,
o adverte e o sustenta, mas fica, muitas
vezes,
impotente diante dos enganos da
paixão.
* N. E.
- Aguilhão: A estimulante, incitador,
provocador
O dever
do coração, fielmente observado,
eleva o homem, mas, como este dever
pode
ser preciso?
Onde ele começa?
Onde termina?
O dever começa precisamente no ponto
onde ameaçais a felicidade ou a
tranqüilidade de vosso próximo, e termina
no limite em que não desejaríeis vê-lo
levado
em relação a vós mesmos.
Deus criou todos os homens iguais diante
da dor; pequenos ou grandes, incultos ou
cultos,
sofrem todos pelas mesmas causas,
a fim de que cada um avalie com bom senso
o mal que pôde fazer.
O critério para o bem, infinitamente mais
variado
em suas expressões, não é o mesmo.
A igualdade em face a dor é uma perfeita
providência de Deus, que quer que seus filhos,
instruídos pela experiência comum, não
pratiquem o mal, falando da ignorância
de seus
efeitos.
O dever traduz, no uso, todas as virtudes
morais; é uma fortaleza da alma que
enfrenta
as angústias da luta; é severo e
dócil; pronto para dobrar-se às diferentes
complicações, mas fica inflexível diante
de suas tentações.
O homem
que cumpre seu dever ama mais
a Deus do que às criaturas, e às criaturas
mais do
que a si mesmo.
É, ao mesmo tempo, juiz e escravo em sua
própria causa.
O dever é o mais belo laurel* da razão;
resultem dela, como um filho nasce de sua
mãe.
* N. E.
- Laurel: prêmio, distintivo, galardão. el
O homem deve amar o dever, não porque
o cuide dos males da vida, aos quais a
Humanidade
não pode subtrair-se, mas sim
por dar
à alma o vigor necessário ao seu
desenvolvimento.
O dever cresce e se espalha, sob forma
mais
elevada, em cada uma das etapas
superiores
da Humanidade; a obrigação
moral
da criatura para com Deus nunca
para;
ela deve traduzir as virtudes do
Eterno, que não aceita um rascunho
imperfeito, pois quer que a beleza de
sua
obra brilhe diante d’ Ele.
A VIRTUDE
François,
Nicolas, Madeleine, Cardeal Morlot - Paris, 1863
8
A
virtude, no seu mais alto grau, é o conjunto
de todas as qualidades de conteúdos que
representam
o homem de bem.
Ser bom, caridoso, trabalhador, sóbrio,
modesto,
são qualidades do homem virtuoso.
Infelizmente
são acompanhadas quase sempre
de pequenos erros morais que as desmerecem
e as enfraquecem.
Aquele que faz ostentação de sua virtude não
é virtuoso, pois lhe falta a principal
qualidade:
a modéstia.
E tem o
vício mais oposto: o orgulho.
A virtude realmente digna desse nome não
gosta de se mostrar; ela é sentida, mas se
esconde no anonimato e foge da admiração
das multidões.
São
Vicente de Paulo era virtuoso; o digno
Cura de Ars era virtuoso, e muitos outros
não muito conhecidos do mundo, mas
conhecidos
de Deus.
Todos esses homens de bem ignoravam
que
eram virtuosos; deixavam-se ir pela
corrente de suas santas inspirações e
usavam
o bem com total desinteresse e
completo esquecimento de si mesmos.
À
virtude, assim entendida e usada, é
que eu vos convido, meus filhos; a essa
virtude verdadeiramente cristã e
verdadeiramente
espírita que eu vos
convido
a oferecer-vos.
Afastai de vossos corações o sentimento
do orgulho, da vaidade, do amor-próprio,
que sempre desvalorizam as mais belas
qualidades.
Não
imiteis o homem: que se coloca como
um modelo e se fazer grandes
elogios de
suas próprias qualidades para todos os
ouvidos tolerantes.
Essa virtude com ostentação esconde,
muitas vezes, uma multidão de pequenas
mesquinharias e odiosas fraquezas.
Em princípio, o homem que ostenta a si
mesmo,
que levanta uma estátua à sua
própria virtude, destrói, por essa única
razão, todo merecimento efetivo que
possa ter.
Mas o que falarei daquele que dá valor
em parecer aquilo que não é?
Entendo muito bem que o homem que
faz o bem sinta no fundo do coração
uma
satisfação íntima, mas, uma vez que
essa satisfação se coloque de fora
para provocar elogios, estragar - se em
amor-próprio.
Vós
todos, a quem a fé espírita reanimou
com
seus raios, e que sabeis o quanto o
homem está longe da perfeição, não façais
nunca uma tolice dessas.
A virtude é uma graça que eu desejo a todos
os espíritas sinceros, mas alerto:
Mais
vale poucas virtudes com modéstia do
que muitas com orgulho.
Foi pelo orgulho que as humanidades se
perderam uma atrás da outra , e será pela
humildade que deverão um dia libertar-se.
OS SUPERIORES E OS INFERIORES
François, Nicolas, Madeleine, Cardeal Morlot -
Paris, 1863
9
A
autoridade, assim como a riqueza, é uma
delegação
da qual terá que prestar contas
aquele que dela estiver investido.
Não
acrediteis que ela seja dada para
satisfazer
o bel prazer de mandar, nem pouco,
conforme acredita falsamente a maior parte
dos poderosos da Terra, como um direito
ou uma
propriedade.
Deus
tem lhes provado firmemente que
não é
nem uma coisa nem outra, pois as
retira deles quando quer.
Se fosse um privilégio ligado à pessoa,
seria intransferível.
Ninguém pode falar que uma coisa lhe
pertence, quando ela pode lhe ser tirada
sem o seu consentimento.
Deus dá
a autoridade a título de missão
ou de prova, quando quer, e a retira do
mesmo modo.
Todo
aquele que é depositário da autoridade,
seja qual for em grau de importância, desde
um senhor para com seu servidor até o rei
para com seu povo, não deve esquecer-se
de que é um encarregado de almas e
responderá
pela boa ou a má direção que
der a
seus empregados.
Vai pagar
com as culpas das faltas que
estes
poderão praticar, dos vícios aos quais
serão arrastados em conseqüência dessa
direção
ou dos maus exemplos recebidos;
mas, também, colherá os frutos do seu
esforço por levá-los ao bem.
Todo
homem tem, na Terra, uma missão
pequena ou grande; seja qual for, sempre
lhe é dada para o bem; desviá-la do seu
verdadeiro sentido é fracassar no seu
cumprimento.
Se Deus pergunta ao rico:
Que
fizeste da riqueza que deveria ser
nas
tuas mãos uma fonte espalhando
abundância
em sua volta?
Também
perguntará àquele que manda
de alguma autoridade:
Que uso fizeste dessa autoridade?
Que mal proibisse?
Que melhora fez?
Se te
dei empregados, não foi para
fazer deles escravos de tua vontade,
nem instrumentos dóceis dos teus
caprichos ou de tua ambição; te fiz
forte e te confiei os fracos para que,
amparando-os, os ajudasses a subir
até mim.
Aquele que, investido de autoridade,
segue as palavras do Cristo não
despreza
nenhum dos que estão abaixo
dele, porque sabe que as diferenças
sociais
não tem diante de Deus.
O
Espiritismo lhe ensina que, se hoje
eles lhe obedecem, já puderam tê-lo
mandado, ou poderão vir a mandá-lo
mais tarde e, então, será tratado
como os
tratou.
Se o superior tem deveres a cumprir,
o empregado também os tem por sua
vez e não menos sagrados.
Se este último é espírita, sua consciência
lhe falará, melhor ainda, que não está
dispensado de os cumprir, mesmo que
seu
chefe não cumpra os que lhe competem,
pois sabe que não se deve pagar o mal
com o mal, e que as faltas de um não
justificam as faltas de outros.
Se
sofre na sua condição de empregado,
sabe que é merecido, porque ele mesmo
pode já ter também abusado da autoridade
que tinha, e agora deve sentir, por sua vez,
os impróprio
daquilo que fez os outros
sofrerem.
Se é obrigado a aquentar essa situação,
na falta de encontrar outra melhor, o
Espiritismo
lhe ensina a aceitar-se a isso,
como uma prova para sua humildade,
necessária
a seu adiantamento.
Sua crença o guia no seu comportamento;
ele faz como gostaria que seus empregados
fizessem para com ele, se fosse o chefe.
Por
isso mesmo, é mais cuidadoso no
cumprimento
de suas obrigações, pois
entende
que toda falta de atenção no
trabalho
que lhe é confiado é um prejuízo
para aquele que o remunera, a quem deve
seu tempo e seus esforços.
Em resumo, é guiado pelo sentimento do
dever, que lhe resulta de sua fé, e a certeza
de que todo desvio do caminho correto é
uma
dívida que deverá pagar cedo ou tarde.
O HOMEM NO MUNDO
Um
Espírito Protetor - Bordeaux, 1863
10
Um sentimento de piedade deve sempre
dirigir
o coração daqueles que se reúnem
sob os olhos do Senhor e pede com muita
força a assistência dos bons Espíritos.
Purificai, vossos corações; não vos deixeis
perturbar por nenhum pensamento
fútil ou de prazeres materiais; elevai vosso
Espírito em direção àqueles que vós chamais,
a fim de que, encontrando em vós as
necessárias
condições, possam atirar em
quantidade
a semente que deve crescer em
vossos corações, e nele desse os frutos da
caridade e da justiça.
Não acrediteis, contudo, que, incentivando
vossa dedicação à prece e à evocação
mental,
desejamos vos levar a viver uma vida
mística, que vos coloque fora das leis da
sociedade,
onde estais obrigados a viver.
Não;
vivei com os homens de vossa época,
como
devem viver os homens.
Mas se
renunciardes às necessidades, ou
mesmo
às banalidades do dia-a-dia, fazei-o
com um
sentimento de pureza que possa
santificá-las.
Se sois
obrigados a estar em contato com
homens aos quais espíritos são de natureza
diferente da vossa e de caracteres opostos,
não deveis afrontá-los; não os contrarieis.
Sede alegres, felizes, mas com a alegria qu
e
provém da consciência limpa da felicidade
de um
herdeiro do Céu que conta os dias que
o aproximam de sua herança.
A
virtude não resume em assumir um aspecto
severo e sombrio, em rejeitar os prazeres que
a vossa condição humana deixa; basta guiar
todos os vossos atos pela lei do Criador, que
vos deu a vida.
Quando se começa ou termina uma obra,
deveis
elevar o pensamento a Ele e pedir-Lhe,
num
impulso da alma, a proteção para nela ter
sucesso
ou sua bênção para a obra acabada.
O que quer que façais, ligai vosso pensamento
à fonte
superior de todas as coisas e não façais
nada sem que a lembrança de Deus purifique e
santifique vossos atos.
A perfeição encontra-se inteiramente, como
disse o Cristo, na prática da caridade sem
limites, porém, os deveres da caridade se
estendem
a todas as posições sociais, desde
a mais elevada à mais simples.
O homem, se vivesse só, não teria como
trabalhar
a caridade, e, somente no contato
com seus irmãos , nas lutas mais difíceis é
que ele encontra a ocasião de exercê-la.
Aquele que se isola, priva-se voluntariamente
do mais poderoso meio de aperfeiçoar-se e,
pensando apenas nele, sua vida é a de um
egoísta.
(Veja
nesta obra Cap. 5:26.)
Não
imagineis que, para viver em comunicação
constante
conosco, para viver sob a observação
do
Senhor, seja preciso entregar-se ao martírio
e
cobrir-se de cinzas.
Não;
mais uma vez não!
Sede felizes, de acordo com as necessidades
humanas,
mas que na vossa felicidade nunca
entre
um pensamento ou um ato que possa
ofender a Deus, ou entristecer a face daqueles
que vos amam e vos dirigem.
Deus é amor e abençoa aqueles que amam
com
pureza.
CUIDAR
DO CORPO E DO ESPÍRITO
Georges, Espírito Protetor - Paris, 1863
11
Será que a perfeição moral resume na
martirização
do corpo?
Para resolver essa questão apóio-me
nos ensinamentos
elementares e começo
por mostrar a necessidade de cuidar do
corpo que, conforme esteja sadio ou doente,
influi de uma maneira muito importante
sobre a alma, que é considerada prisioneira
da
carne.
Para
que ela vibre, se movimente e até mesmo
conceba as enganações de liberdade, o corpo
deve estar são, disposto e vigoroso.
Estabeleçamos uma situação: eis que ambos
se encontram em perfeito estado; o que devem
fazer para manter o equilíbrio entre suas
aptidões
e suas necessidades tão diferentes?
Dessa confrontação torna-se inevitável buscar
seu ajuste equilibrado entre ambos, sendo que
o segredo está em achar esse equilíbrio.
Aqui, dois sistemas se encarar: o dos
Irmãos que se entregam na vida espiritual, que
querem destruir o corpo, e o dos
materialistas,
que negam a alma.
Dois sistemas igualmente constrangedores,
tão insensatos,
tanto um quanto o outro.
Ao lado
destas grandes correntes de pensamento,
tem um grande número de indiferentes que, sem
certeza
e sem afeições, amam com frieza e não
sabem se divertir.
Onde,
pois, está a sabedoria?
E a
ciência de viver?
Em
nenhum lugar.
Este problema ficaria inteiramente sem ser
resolvido
se o Espiritismo não viesse em ajuda
dos pesquisadores, mostrando-lhes as relações
que tem entre o corpo e a alma, comprovando
que são necessários um ao outro e é preciso
cuidar
de ambos.
Amai, pois, vossa alma, mas cuidai também
do
corpo, instrumento da alma.
Desconhecer as necessidades que a própria
Natureza aponta é desconhecer a Lei de Deus
. Não
castigueis vosso corpo pelas faltas que
o vosso
livre-arbítrio o levou a usar, e das
quais é
tão responsável quanto um
cavalo mal guiado o é pelos acidentes que
causa.
Sereis,
por acaso, mais perfeitos se, ao
martirizar
o vosso corpo, continuardes egoístas,
orgulhosos e sem caridade para com o vosso
próximo?
Não, a perfeição não está nisso.
Ela se encontra nas reformas a que debaixo
do
vosso Espírito: dobrai-o, domesticai-o,
humilhai-o,
dominai-o, este é o meio de
torná-lo
dócil à vontade de Deus e o único
que
conduz à perfeição*.
* N. E.
- Esta mensagem foi escrita e traduzida do original da primeira edição de Imitation
de L'Évangile Selon le Spiritisme, por nele estar completa.

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